Jailson Vieira
Tubarão
Aproximadamente 50 pessoas entre professores, alunos, pais e políticos estiveram na manifestação pacífica que ocorreu ontem no centro de Tubarão, em prol do não fechamento da Escola de Educação Básica João 23, no bairro Passagem.
A unidade de ensino que, até o início deste mês, contava com 123 alunos, recebeu um ofício na segunda-feira passada do secretário estadual de educação, Eduardo Deschamps, para que fosse fechada e que um Centro de Ensino Infantil (CEI) funcionasse naquele local.
“Desde o último ano lutamos para isso não ocorrer, não é correto fechar a única escola de ensino médio da região. Queremos que a população entenda e nos ajude a mudar esse quadro que o governo estadual nos impôs”, revela a professora de geografia, Dolores Medeiros.
Alunos relataram para os docentes da instituição do bairro Passagem que sofrem bullying (em função da localidade que moram) pelos colegas da nova escola, a Dite Freitas, no bairro Santo Antônio de Pádua. E que assistem as aulas em um espaço pequeno, e que algumas vezes as disciplinas são ministradas no auditório da instituição.
“O que foi feito com os alunos e nós professores foi de forma ilegal. Continuamos no local porque não temos decreto e nem portaria, se formos para outra instituição não agiremos de maneira correta. A escola está aberta. Além disso, os móveis foram retirados contra a nossa vontade e não fomos avisados que fariam isso. Dilapidaram o patrimônio público”, explana a professora Semiana Choaib.
Membros do poder legislativo apoiam a causa
Alguns vereadores da Cidade Azul participaram do ato e garantiram que farão de tudo para ajudar o bairro a continuar com a única escola de ensino médio da região norte do município.
“A instituição não pode ser fechada, está naquele bairro há mais de 50 anos. Muitos médicos, professores, engenheiros e tantos outros profissionais saíram de lá. O governo deve ouvir e dar mais atenção à população daquela comunidade”, opina o vereador Joel da Farmácia (PMDB).
Outro representante do legislativo que estava à frente do ato foi o vereador Edson Firmino (PMDB). Ele espera que o secretário Eduardo Deschamps reveja a situação e que a escola seja mantida no local. “Esse ano foi atípico porque ocorreu uma mudança no quadro da educação com a implantação do nono ano. O secretário teria que esperar porque no ano seguinte os alunos voltariam para lá por ser a única instituição dos bairros mais próximos a ter o ensino médio”, afirma Firmino.
O presidente da Comissão de Educação da câmara de vereadores, Paulo Henrique Lucio, o professor Paulão (PT), revela que a situação é lamentável. “Tudo isso é muito ruim. Tratam a educação como um gasto e não um investimento para o futuro. O governo de Santa Catarina tem que repensar este caso do fechamento da escola. Coloco-me sempre à disposição da população e, se este assunto não for resolvido, faremos outras manifestações”, esclarece o professor Paulão.

